28 de out de 2011

nascer.


O tempo foi ficando tão bonito do meio da tarde em diante, tão bonito que o
anoitecer se fez majestoso, não tinha outra opção que não prestar meu
respeito ao sol parar, observar, fazer registro com uma fotografia e
ficar feliz por vencer o impulso natural, o de achar bonito
mas seguir meu rumo afinal o sol se põe todos os dias.
Lembrei de uma
frase de Sócrates (o corinthiano, não o grego) em que respondeu a uma
pergunta sobre saudade de seus tempos de jogador com um sonoro não e
argumentou dizendo que "Cada batimento cardíaco é uma nova vida"
e na história do copo meio vazio eu também acredito que conforme o tempo
passa não vivemos menos
dias, na verdade, vivemos mais vezes.
E fiquei satisfeita de sob aquele céu
incrível poder nascer de novo, de novo e de novo...

20 de jun de 2011





"Qualquer coisa é a mesma coisa". O quanto antes nos dermos conta disso, melhor.
Sem cobranças demais, sem falsa modéstia. Existir.


(imagem via Vincent)

25 de dez de 2010

E então foi Natal

A casa cheia de parentes, as tias chocadas mas adorando o cabelo mais curto, minha mãe cozinhando, meu pai recebendo quem ia chegando. Todo mundo verdadeiramente feliz em se encontrar, foi bonito o meu dia vinte e cinco.
Ainda assim, as vezes acho que dou pouco crédito ao Natal, como cristã e como filha, irmã, prima, sobrinha...
Estava pensando nisso agora, mas calma, essa não é uma resolução de fim de ano do tipo "ano que vem vou assistir a missa do galo" é só uma constatação de que o Natal já foi, passou por mim e no fim do dia quando a última prima estava indo embora vi a chance de entrar realmente no clichê delicioso dessa época, resolvi mergulhar no clima natalino e então a abracei como quem abraça todos que ama de uma só vez, como quem ainda criança abraça o papai noel do shopping e que aliás deveria abraçar também a mãe que ficou horas na fila só pra ver o filho feliz. Era a minha chance de ser grata. Ela me abraçou e sorriu com a boca larga, mostrando os dentes feito criança. Um presente.

30 de nov de 2010

no meu tempo...

Eu acho que hoje em dia o mundo pop anda tão chatinho! Celebs fazendo absurdos pra se aparecer, rehab pra cá, rehab pra lá, presa porque estava dirigindo bêbada, botox, a fulana tá pegando mulher, não sei quem lançou grife de não sei o quê ... bo-ring!

Na minha adolescência, que ainda pegou um finalzinho de anos 90, eu ainda tive oportunidade de desfrutar de uma vidinha não-virtual, onde as pessoas cool, eram realmente muito cool. E uma dessas pessoas "cansei de mim, quero ser você" é a Winona. Cara, ela arrasava! A garota era linda, descolada, charmosa, chic, feminina com um "q" de feminista, que mesmo estando vestida de camiseta e calças largas acompanhadas de um sapato masculino, tinha o rosto mais adorável. E além de tudo queridos, ela namorava o Johnny Depp! Tá vendo? Não tão mais fazendo umas pessoas assim! =(



16 de nov de 2010

Escrever sobre lembranças ruins
É espalhar cacos
preciso de uma pá.
De abraços.






[resquícios do post anterior]

Segundo olhar

Dia de prova. Estávamos atrasados, o relógio corria como nunca e apontava quinze minutos até o fechamento dos portões. A única solução além de um (im)possível tele transporte era pegar um táxi. Em São Paulo essa nunca é a minha primeira opção, mas nesse caso era a única chance de salvar o ano de estudo. Vi um taxista parado, fora do carro, estava de costas quando perguntei se estava livre, o vi fazendo sinal de positivo com a cabeça mas só foi assim até ver quem estava solicitando a corrida, ele olhou pra mim pausadamente olhou pro meu irmão como quem o media e então respondeu que não.
Não foi a primeira vez que deixei de ser atendida por causa da cor da minha pele, mas estava em um momento de adrenalina tão grande que senti aquilo como um soco na cara. Com os olhos segurando a água que não demorou muito até começar a cair tomei a frente do meu irmão pois num orgulho instintivo não queria ser vista chorando. Na verdade queria ter questionado o taxista, queria ter exigido, queria ter xingado mas tudo que eu fiz foi seguir a diante.
Conseguimos um táxi e chegamos a tempo. Mas fiquei com isso vários dias fazendo sombra na minha alegria.
Tratar desse assunto tem um revés muito grande, por mais que seja necessário e pra mim até dolorido ele gera dois tipos de reações que eu dispenso. A primeira é dos que ficam com
pena, acham que isso é realmente muito triste, mas não refletem sobre o quanto isso é grave.O quanto isso é crime.
E tem a segunda corrente, a daqueles que acreditam que é tudo um equívoco, que é impressão minha, que esse tipo de coisa não existe e em alguns casos pensa ser até paranóia. É o caso de quem não entende que não está no que alguém diz, está no modo como te olha, está justamente nesse segundo olhar.
Gostaria de estar em um nível de compreensão em que pudesse considerar o taxista um pobre coitado ignorante, vitima de uma sociedade em que pessoas com a pele mais clara tem mais valor (em todos os sentidos) mas não estou, me desculpem mas acho mesmo, e o adjetivo se faz necessário, que é um filho da puta.
O post tem cara de revolta, de indignação e é sim um pouco disso mas é também tristeza, é cansaço de quem se sente minoria mesmo sabendo estar entre iguais.

blá blá blá blá-blá

Eu gosto muito de falar. Gosto de me encontrar com pessoas que eu gosto, e falar. A maioria das pessoas precisa de um motivo pra se encontrar. Ir ao cinema, ou jantar... mas eu me alegro quando alguém me convida só mesmo pra bater papo :) Eu adoro passar uma boa tarde entre amigos. Falando de tudo e de nada.